Os historiadores da
chamada Primeira República no Brasil (re)conhecem a frase “para os amigos pão, para os inimigos pau” como sendo uma síntese do
comportamento político que caracterizou a história política do período que vai
de 1889 a 1930. A frase, figurada como um verdadeiro adágio, traduzia como
funcionava os bastidores de uma política interessada, marcadamente
compromissada e que cujas características máximas eram: o mandonismo e o
clientelismo.
Neste
caso, a frase era usada sempre que um grupo político (oligarquia) subia ao
poder comandando a estrutura política que ia da esfera local à regional e, em
alguns casos, chegando a esfera Nacional. A historiografia brasileira que trata
da política nesse período ilustra os estados do “Norte” – atual Nordeste –
como exemplos clássicos de regiões que implementaram esse tipo de política,
embora, é bem verdade, o fenômeno não estivesse circunscrito a esta região do . Aliás,país a prática política em tela esteve na base da famosa “política
dos governadores” que ditou as regras do jogo político entre as esferas
locais, regionais e nacional no Brasil do período.
Contudo,
no tocante a configuração das relações de poder, sabe-se que tais grupos impediam o acesso
direto da população aos bens e serviços públicos, exercendo sobre elas relações
de mando muitas vezes balizados pela força e violência. De forma correlata, o
comportamento político dos governantes pautava-se na implementação de uma
prática de “alijamento de oportunidades políticas”, em que cuja base
apresentava-se uma acirrada relação entre correligionários e opositores. A ilustração é válida: em
alguns casos, onde a disputa política era polarizada, o embate era tamanho – perdurável
durante longos períodos em que um grupo estivesse à frente do poder – que se
opunham de um lado, os “amigos” correligionários de “A”, contra os “inimigos”
apoiadores de “B”.
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Pode
estranhar o leitor, mas cabe dizer que esse “sistema” de governo teve “validade” em
um tempo passado da nossa história política. Embora, importa igualmente lembrar que o
comportamento político pautado no mandonismo e no clientelismo perpassa o
tempo, chegando de forma “viva” em nossos dias, é bem verdade que transvestido de certo “republicanismo alaranjado”. Basta ver a forma como se convoca o “povo” para participar de
eventos e ações políticas em nossa região, como é o caso das inaugurações de obras públicas.
Vejam:
ainda é assim que se forma, de um lado, o palanque dos “amigos e
correligionários”, aptos a receber a “boa obra”, enquanto que, do outro lado,
não há espaço para os “opositores”, os inimigos que não apoiam a situação política vigente. Estes ficam
excluídos – alijados – por um revanchismo político que, dentre outras coisas,
dá a obra um caráter "eleitoreiro", fazendo com que esta receba uma “certidão de
nascimento” chancelada pelos “amigos e apoiadores” do grupo político dominante. Leia-se, um verdadeiro
apoio “moral”, propício em momentos que se vislumbra a aproximação do pleito
local, onde se “pretende” atender todos os anseios, toda “sede” da população.
Há lógica nesse jogo? É justificável? Certamente, para muitos...
Contudo, "por tudo e por todos”, me parece que, mais do que nunca, nesse tipo de comportamento paira o adágio: “para os
amigos pão, para os inimigos pau”! Eis uma prática nada desinteressada, afeita ao jogo de encenações política. Uma
forma de ainda mostrar publicamente os que estão “dentro” e os que estão “fora”
do jogo político local e regional. Em nossa história local, contanto, o adágio pode ser visto de forma inversa? Fica a leitura para o desenrolar dos
próximos dias...
* Créditos da Imagem: Capa da Revista Fon Fon de 09 de Maio de 1908. Ilustração - O personagem "Zé Povo", preso às correntes das Oligarquias regionais, grita: Viva a Liberdade!.
* Créditos da Imagem: Capa da Revista Fon Fon de 09 de Maio de 1908. Ilustração - O personagem "Zé Povo", preso às correntes das Oligarquias regionais, grita: Viva a Liberdade!.
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