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O teatro do Poder. |
Não
é espantosa, para nossos agentes políticos, a constatação de que há uma intima
relação entre política e teatro. Todos sabem, ao seu modo, a importância que
recai sobre uma boa “atuação” política frente ao público. A consciência disso
deixa indícios, bastando passear pelas redes sociais – Facebook e Instagram –,
por exemplo, para percebermos que muitos estão atentos à eficácia da fabricação
da imagem pública, fazendo com que recorram aos cursos de marketing político espalhados
Brasil afora – muitos deles participantes credenciados – que, dentre outras
coisas, ensinam sobre a “personificação do poder”, mediante uma eficiente
encenação articulada à montagem de cenários de atuação política.
Para
nós, do mesmo modo, nada de espantoso: o que chamam de marketing político é hoje
uma ferramenta eficaz para promoção da imagem pública dos candidatos nos regimes
democráticos. Dentro das regras do marketing político, por exemplo, destaca-se
que um de seus objetivos é adequar o candidato/candidata como sendo
representativo ao seu eleitorado potencial. E, adequá-lo ao seu eleitorado potencial
significa, especificamente, saber o que pensam e o que querem os eleitores em
determinado momento, para que a imagem do candidato seja personificada, montada
de acordo com os anseios da sociedade, ou grupo.
Por outro lado, quem recorre a estes
cursos sabe que o “marketing político” exige o uso de estratégias cujos efeitos
são percebidos à longo prazo quando se trata de construir a imagem política que
melhor se encaixe às expectativas de uma sociedade. Daí, resulta a configuração
do chamado “marketing eleitoral” que visa, a curto prazo, criar uma imagem em
potencial que se adeque às expectativas de um grupo de eleitores. No marketing
eleitoral, portanto, recorrem a um cem número de estratégias para que o
candidato possa conquistar a aprovação e simpatia da sociedade, construindo,
para tanto, uma imagem pública que seja sólida e consiga transmitir
confiabilidade e segurança à população elevando o seu conceito em nível de
opinião pública.
A chamada é indiciária... Leia-se um
exemplo à nível local...
Nesse
momento em que a aliança de certas forças políticas locais sugere-nos recorrer
ao conteúdo da história, leia-se, histórica local, para chancelarmos a eficácia
da montagem de uma chapa e de um plano de governo cuja imagem já prefigura como
uma “novidade” à sociedade aroeirense, tal como é nova, “jovem”, a própria chapa dos pré-candidatos
em formação, devemos imaginar que repousa ai uma estratégia: a formatação de um
governo, estando à frente “jovens” pré-candidatos cuja aliança é “alicerçada”
no alinhamento de ideias políticas que visam o bem estar da sociedade. Portanto, a
montagem da “imagem” de um governo e de seus governantes como estando em
sintonia com a necessária “renovação” da política local já está em pleno curso.
E, conscientemente ou não, atende as regras essenciais do marketing eleitoral e
que cuja primeira fase consiste em sondar os eleitores, neste caso, com a
apresentação de uma pré-candidatura.
E,
vejam os leitores... Os indícios desse “poder teatralizado” encontra “ecos” em
discursos que antagonizam cenários e práticas políticas. Assim, estrategicamente,
de um lado denuncia-se a Aroeiras que “vive dias difíceis”, abandonada, em face
da Aroeiras que se vislumbra no futuro: governada pelos “jovens” e guiada pela
solidez de um plano de governo “criado” pelos aroeirenses. Um engodo?! A grande questão, me
parece ser, é que a costura nos bastidores dessa aliança já revela algo como que
denunciando o jogo clássico da velha política. Tanto é assim que as redes
sociais nos dão conta de que tudo fora firmado numa “reunião”, longe
de Aroeiras, fechada entre os familiares. Talvez não pudesse ser diferente! Essa
prática, sabemos, repousa ao mesmo tempo em raízes históricas cujos exemplos remetem para um tipo de política que figura
como um verdadeiro “negócio de família”.
Por
hora, cabe refletir que para esses agentes políticos não resta outra
alternativa senão fazer emplacar a aliança no meio do público e, para tal, usam
dos instrumentos a seu dispor para fazer valer tal imagem sem causar
estranhamentos ou contestações. Aos (e)leitores resta aguardar as fases
seguintes: as visitas, os almoços, os discursos, a oficialidade da chapa, a convenção,
a campanha, e o próprio dia da eleição, seguidas de toda dimensão teatral, da
encenação e da montagem de cenários, diante os qual esses momentos são contornados. Fases que, aliás, enquanto produzia este texto, já estão em curso... Eis que tivemos um domingo com cheiro de pré-campanha...
Porém, antes que falemos numa “Esperança Renovada”, ou que“(Re)unimos
para mudar” – os trocadilhos são válidos – talvez deva nos valer um alerta feito
por Machado de Assis no romance Esaú e Jacó, lançado em um momento específico
de mudanças políticas no Brasil. Para ele, na política, muitas vezes, se “muda
de roupa sem trocar de pele”. Para nós, fica a leitura: muitas vezes na face do
novo há resquícios do velho, cabendo-nos diferenciar um e outro, promovendo, o
que por hora chamaremos de “contrateatro”.
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